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março 20, 2007

... as igrejas abandonadas nos campos de batalha...

... as igrejas abandonadas nos campos de batalha...

“Não me apetece escrever.
nem bem, nem mal.

Nem coisa nenhuma.
Nem coisa qualquer,
que fique a pairar na inutilidade que não é absolutamente nada

Parar de escrever para poder viver,
ou escrever o necessário para acalmar a vida interior, paralela

sempre outro, para não destruir nada
nem aquilo que devia ser magnífico a arder”

novembro 26, 2006

Aquele crocodilo...

... era uma "besta". Um dos guias disse-nos que o gajo já tinha cortado uma zebra ao meio só com uma dentada.

Para além disso, era manhoso.
O gajo estava lá, parado, a olhar para aqueles animais todos a querem entrar no rio.
Os animais estavam todos (de uma margem e de outra) a olhar para ele e a ver quem é que metia a primeira pata!

O tipo, às tantas, dá meia volta, mergulha e desaparece.
Os animais continuam à espera.
O gajo nunca mais aparece e eles ganham coragem. Entram na água, passam uns quantos...

E ele volta a aparecer... Elas nem dão por isso até uma delas levar uma dentada...

Aquilo demora uns 30 minutos com ela a fazer um barulho horrível... até que morre exausta e afogada...

Nós, os humanos, ali mesmo à beirinha a olhar feitos parvos e a engolir, na prática, a treta da lei da selva...

Um Crocodilo...

Descobri esta (em formato digital), do Crocodilo (no mesmo Rio onde estava o Barquito puxado a corda).

Claro que uma daquelas zebras não chegou à outra margem.

E, claro que é muito mais difícil ver estas coisas ao vivo que na TV.

Masai Mara

Pois é! Era o Rio Mara.
O mesmo desta imagem...

Esta senhora também andava por lá. Mais uns crocodilos...
Enfim, todos os Big Five e mais uns quantos!

O engraçado é que o Little Governor's não tem vedações e os quartos são tendas... Mas temos uns Masai de guarda para nos protegerem... (está incluído no preço um masai para cada tenda!).

Como tirei quase todas as fotos com "máquina de rolo", não há mais para mostrar... Mas valeu a pena!

novembro 08, 2006

Acho graça...

Os Sim ao Aborto perdem-se a acusar os do Não... "Estão todos a favor da Pena de Morte para o Saddam!"

E os do Sim, não estão todos contra?

(se falamos em TODOS para um lado, deixa lá falar em TODOS para o outro).

Pena de Morte

Sem grandes explicações!

Eu concordo com a Pena de Morte em casos muito específicos!
No caso do Saddam... Se não fosse por causa dos Curdos, era por causa de outra coisa qualquer, não era? Faz-me impressão!

Ele estava condenado à morte à partida, foi só uma questão de arranjar motivos! Não concordo...

Posso concordar com o aborto, certo?

novembro 03, 2006

Online para os Offline

Cara amiga,

Esperando poder esclarecer-te, aqui vai a explicação que me pediste. Muito pouco do que se escreve na blogosfera é importante (o numero de blogues, a nível mundial, é imenso!). Esta "vida" online é igualzinha à vida offline.

Existem grupinhos, que implicam com outros grupinhos. Pessoas que não comentam outras pessoas, para não lhes dar importância. Pessoas simpáticas. Pessoas educadas. Blogues da moda, blogues de elevada sapiência, blogues engraçados, blogues interessantes, blogues tontinhos... e blogues completamente desconhecidos.

Democracia?
Qualquer pessoa pode criar um blog e dizer o que lhe apetece! Se alguém o lê, isso já é outra história. Se calhar, lemos na blogosfera exactamente aqueles que lemos nos jornais só que, e só às vezes, com outros nomes!

Democracia?
Não... A ilusão de democracia, talvez!

Quando vens para "este mundo" alternativo, ou visitas a "casa virtual" de um amigo teu (e é o mesmo que ires com ele ao café, mais coisa, menos coisa) ou, pelas estatísticas, pelas referências noutros blogues, pelos links, pelo nome sonante de quem escreve, pelas referências nos jornais e na televisão, acabas por ir dar sempre aos mesmos sítios.

Não te parece que é muito parecido com a "vida real"? Ouves o que os media te dizem e falas com os amigos... volta e meia lá encontras uma coisa "mesmo diferente", mas o impacto disso é residual!

A treta é a mesma, apenas acresce o perigo de acreditar na ilusão.

E os jornais, os políticos e os outros do costume andam chateados com isto, não porque o anónimo (o verdadeiro), esteja a furar o sistema instituído, mas apenas porque, dentro do sistema, e sem nunca querer sair dele, há uns que resolvem fazer umas "cenas" antes estarem definidas em agenda.

Coitado do português anónimo, que qualquer dia acredita que vive, de facto em democracia (o que é isso, já agora?) e nunca mais se queixa... Mas, para o português acreditar, primeiro têm de fazer crer que é muito perigoso!

Guerra das Estrelas

Quando eu era pequena, queria ser astrofísica. Na altura não dizia assim, e quando me perguntavam, respondia que queria ser cientista, daqueles que estudam os planetas e as estrelas.

Certo dia pedi que me comprassem um livrito, que ainda guardo, “Introdução à Astronomia” de Iain Nicolson e Don Pottinger.

Está todo sublinhado, com o traço incerto de uma criança munida de lápis de cor.

As coisas que eu sublinhava!

“O brilho aparente de uma estrela, tal como o vemos da Terra, é a sua grandeza aparente (m).

Uma estrela bastante brilhante, tal como aldebarã, é de primeira grandeza (isto é, tem m=1), e uma estrela desmaiada como a estrela polar tem m=2, e assim por diante. A estrela mais fraca, visível a olho nu, tem m=6 e é 100 vezes mais fraca do que uma estrela m=1. As estrelas mais fracas detectadas até agora têm m=23.

No outro lado da escala, as estrelas cujo brilho é superior à primeira grandeza podem ter m=0 (como, por exemplo, alfa centauro) ou até mesmo valores negativos, como sírios, com m=-1,5. O Sol tem m=-26.

A grandeza aparente de uma estrela depende tanto do seu brilho real como da sua distância da Terra.

Pode acontecer que uma estrela que é, na verdade, muito brilhante, nos pareça desmaiada devido à distância. Para comparar o verdadeiro brilho das estrelas, os astrónomos usam a grandeza absoluta (M), sendo esta a grandeza aparente que uma estrela apresentaria se estivesse colocada à distância-padrão de 32,6 anos-luz.

O sol tem M=4,8 enquanto aldebrã tem M=-0,1. aldebrã é, em si mesma, cerca de 100 vezes mais luminosa que o sol”

Este fim-de-semana vou ver a exposição da Guerra das Estrelas no Museu da Electricidade e deliciar-me com as memórias da grandeza absoluta dos episódios IV, V e VI.

outubro 27, 2006

Despenalização da IVG, uma decisão exclusiva da mulher?

(reflexões sobre algumas das perguntas colocadas aqui)

- a nova vida em gestação é propriedade absoluta da mulher? Em todas as situações, em qualquer caso, só a sua opção deve contar?

Não! Claro que não deveria ser só a sua opinião que deveria contar, mas como é que garantimos isso?
Imaginemos que a mulher quer fazer uma IVG e o marido, namorado, amigo (pai da criança) não quer! Ou se chega a um compromisso, ou como é que o homem em questão consegue exercer o seu direito de pai, já que o filho está na barriga da mãe? Fecha-a em casa, até a criança nascer e fica de vigia 24 sobre 24 horas para se certificar de que ela não faz nada que possa por em risco a vida do feto, usando-a como simples incubadora?

Outro cenário, seria imaginar (tendo sido a IVG despenalizada) um marido, namorado, amigo (pai da criança) a arrastar uma mulher para o hospital porque ele queria que ela fizesse uma IVG e ela, por outro lado, queria ter a criança. É complicado lidar o desespero da mulher, amarrada à mesa de operações a ver o seu corpo ser invadido para lhe fazerem algo que ela não queria que lhe fizessem.

Por mais voltas que se dê, é a mulher que tem o filho na barriga e, justo ou não, é ela que decide. É daquelas verdades incontornáveis. Parece a questão das Nações Unidas e da Guerra do Iraque. Discute-se, discute-se e, no fim, se o elo mais forte não concorda vai lá sozinho e ninguém pode fazer nada (quando digo, não pode, é não pode mesmo... porque ninguém tem capacidade bélica para tal). É a lei do mais forte, com ou sem razão, simplesmente.

O envelhecimento da população e a despenalização da IVG

(reflexões sobre algumas das perguntas colocadas aqui)

- num país que nitidamente se encontra a envelhecer, no que respeita à sua população de nacionais de sangue, faz sentido que se dê um sinal que se aceita e defende o limite ao nascimento de portugueses de sangue, não renovando e deixando que se debilite essa faixa de população?

Não acredito que uma coisa tenha a ver com a outra (embora muitos queiram fazer parecer, propositadamente, que sim). As IVG vão continuar a existir, quer seja legal ou não. Não vai desatar tudo para aí a abortar só porque é legal, como não vão deixar de se fazer abortos só porque é ilegal.
O problema da baixa natalidade é uma consequência directa das condições de vida dos portugueses em geral. Ter filhos fica caro e não há muito dinheiro para investir.
Os abortos, maioritariamente, são feitos por pessoas que não estão casadas (ou não vivem juntas nem planeiam viver juntas) e são bastante jovens.
A decisão de não ter filhos, ou ter apenas um (ou dois...) é tomada, em consciência, pelo casal. E, não abortam quando ficam grávidos, tomam a pílula.
Esta relação, que alguns pretendem directa, entre a despenalização da IVG e o envelhecimento da população portuguesa (que nos preocupa a todos) é pura demagogia.
Não é uma coisa que vai minorar ou agravar a outra.

- será que toda a população que nos vai chegando e enformando a nossa sociedade nasceu e desenvolveu-se nas condições perfeitas de concepção, gestação, nascimento e crescimento até ao estádio de adulto e ao momento da imigração?

Não! Mas isso significa que, para engrossar as fileiras de população jovem, devemos apostar na quantidade (de vidas) em detrimento da qualidade (de vida).
Qualquer dia estamos a dizer que, a partir de determinada idade, todas as mulheres são obrigadas a procriar (e serão inseminadas, natural ou artificialmente) como forma de contribuir para o rejuvenescimento da população. Passa a ser um género de “serviço militar obrigatório”. E ninguém aborta, porque adoptamos o estilo de alguns países em tempo de guerra... consegues andar e tens força para segurar numa arma, então toma lá e vai combater.

O programa que não consegui ver...

Mesmo que o Aborto seja despenalizado no mundo inteiro, casos como o que vou relatar abaixo vão, com certeza, continuar a existir. Duvido que determinadas pessoas, uma vez grávidas, pensem sequer no assunto (e nem me passa pela cabeça acreditar que é com a despenalização que isto se resolve).

Por isso, o meu post nada tem a ver com a importância de despenalizar o acto, mas tão-somente com a fraca qualidade de vida que, infelizmente alguns têm.

Como nada disto é inocente aviso, desde já, que na minha humilde opinião, ao serem questionadas sobre a hipótese do aborto, as pessoas em causa talvez dissessem que não, que nunca fariam tal coisa porque a vida humana é sagrada (mas é só a minha humilde opinião, parcial e fortemente influenciada pelas minhas convicções pessoais).

Também não é minha intenção generalizar aquilo que penso sobre este caso específico, para todos os outros casos (e todas as pessoas que, genuinamente e incondicionalmente, defendem o direito à vida e se responsabilizam seriamente pela decisão que tomaram).

Na quarta-feira, depois de terminado o programa sobre os grandes portugueses, fiz o meu zapping e fui direitinha para a Sic Notícias onde pude ver uma reportagem (o programa ia a meio, pelo que não posso fazer o devido enquadramento) sobre a vida de alguns mendigos / vagabundos / ladrões / alcoólicos / prostitutas na Rússia (podia não ser Rússia, falavam aquilo que eu entendo por russo, mas só isso).

Fiquei a ver, até que foi aprofundado o dia-a-dia de uma família cujo pai era ladrão (foi ele que se identificou assim), a mãe era prostituta (também se identificou assim). O casal tinha dois filhos (o mais velho devia ter 4 anos e o mais novinho teria, se tanto, 10 meses...).

O pai era alcoólico (segundo ele, porque só com os sentidos toldados para a sua triste realidade podia suportar a vida que tinha, a profissão da mulher e a fome que os filhos passavam).

O alcoolismo do tal pai era de tal forma grave que, segundo ele admitia, tinha ressacas muito fortes e desequilíbrios psicológicos quando não conseguia a sua "dose".

A reportagem mostrava esta família naquele ambiente sujo, degradado e pobre. Mostrava o pai completamente fora da realidade com convulsões estranhas e os olhos no vazio. Mostrava a mãe, sempre com o mais pequenito ao colo (ainda não sabia andar) e o filho mais velho a brincar por entre o lixo e a "meter-se" com o pai à espera de carinho (ou apenas de uma brincadeira). E voltava a mostrar o pai, lá no canto, sozinho a olhar para o vazio e a gritar-lhe que se fosse embora.

No meio de tudo isto, a mãe diz que o marido é muito agressivo (por causa do álcool) e acaba por dar um exemplo (um, entre muitos).

Um dia, na rua, a caminhar pelo alcatrão, à beira dos carros e do barulho, a mãe levava o pequenino ao colo e o pai levava o outro pela mão. Assim, sem mais (por causa do álcool, ou porque a mulher era prostituta, ou porque tinham aquela miséria como vida, ou porque ela estava a ser chata) o pai deu um murro na cara da mãe que se desequilibrou, largou o filho que tinha ao colo e caiu. O filho também caiu, da altura do colo da mãe, no alcatrão e começou a chorar. A mãe começou, também, a chorar. O pai, para a calar (ou porque ela estava a irritá-lo cada vez mais) pegou no outro filho e arremessou-o contra ela (como se fosse uma pedra).

Pára um carro, querem levar o homem preso. A mulher chora, os filhos choram e o pai continua aos berros... (o resto não sei... não aguentei mais. Foi depois disto que não consegui ver mais nada, fui-me sentar à beira da cama da minha filha que já dormia, e acabei por ir dormir, também, com um peso enorme no coração e uma enorme certeza de que há vidas que se pudessem escolher, escolhiam não o ser).

outubro 20, 2006

Impedida, que estou, de comentar aí

Diga lá se acertei no quiz:

Caotinha,na província de Benguela em Angola!

(se não é, é muito parecido... :))

Não resisto a listas paralelas!

Fui ali votar no pior português de sempre.

Mas, também fui ali votar no melhor português de sempre.

O Pior português de sempre: optei pelo João César Monteiro, porque me insultou e embirro com ele de tal foma, que até lhe dediquei o primeiro post "a sério" deste blogue. Tinha que ser o gajo (até porque, outros com os quais também embirro já tinham sido mencionados).

O Melhor português de sempre: Votei em três (SMS, e-mail e telefone!): D. Afonso Henriques (não era português, mas foi ele que "inventou" Portugal, pelo que é uma escolha evidente), Infante D. Henrique, D. João II.

Palpite relativamente ao concurso: Ainda ganha a Amália, o Eusébio ou o Figo!!!!!!!

Relativamente aos portugueses em geral (nos quais me incluo):

Quando nos pedem para votar nos melhores, temos logo que arranjar uma lista dos piores (on the side). Somos lixados, raios nos partam... E bipolares e maníaco-depressivos...

E podia tirar deste concurso grandes ilações filosóficas e antropológicas, mas não me apetece (além do que, tenho que ir cortar as unhas dos pés).

Antes de ir, no entanto, que diabo é o melhor português de sempre? Serve para quê? Vai ter alguma validade ou é só para entreter a malta? É que ainda pode haver pessoas que levem isto a sério e depois acreditem, mesmo, no resultado final... (vou é cortar as unhas...).

outubro 09, 2006

Hoje acordei assim!

Did you think to kill me?
There’s no flesh or blood within this cloak to kill.
There’s only an idea.
Ideas are bulletproof.

V for Vendetta

outubro 04, 2006

Viva o Sporting!

Fomos à natação no Sporting e desta vez correu bem! Já teve aula.
Ao contrário do que aconteceu aqui!

outubro 01, 2006

Fui ali à varanda fumar um cigarro e apanhei um susto!

Assim de costas pareciam mesmo quatro mulheres de burka a puxar da chave e toca de abrir a porta da casa ali do lado.

Depois viraram-se para cá e afinal não... eram quatro freiras (não tinham a cara tapada e tinham uma cruz ao peito!).

Olha! Vivem quatro freiras na minha rua (não deviam estar em conventos?)... E aquela farda faz mesmo confusão, se estiverem de costas.

Mas, pelo menos, posso ir logo a correr postar este meu mal entendido, que os cristãos não me vão querer cortar a cabeça por isso (e depois vou ali comprar uma mini-saia, que me está mesmo a apetecer)!

Para um agnóstico como eu é melhor viver cá deste lado em que a sociedade é laica, há que admiti-lo!

Ou serei apenas uma grande mal-educada, com uma enorme falta de respeito por tudo e uma total ausência de valores?

Qualquer dia, esta minha guerra interior ainda dá cabo de mim.

setembro 30, 2006

Asimov's Guide to the Bible

Isso sim, é que alguém já devia ter pensado em traduzir para português... Que aquilo, em inglês, dá uma trabalheira do caneco!

Vamos todos a correr comprar o Expresso!

Para começar a fazer a colecção da Bíblia.

Eu posso ter a mania da conspiração... mas isto não se está mesmo a ver que são as forças ocultas que querem que o ocidente volte a temer a Deus?

Agora digam lá que é só por acaso que, assim do nada, vamos todos ter a Bíblia em casa?

setembro 26, 2006

Portugal lá fora...

Eu cá, se mandasse (hé!hé!), investia parte do Orçamento de Estado que está destinado às inutilidades e misteriosidades do costume em Hollywood.

Andava para ali a mexer os cordelinhos, e não descansava enquanto não sacasse blockbusters com as grandes estrelas lá do sítio sobre os seguintes temas:

- Afonso Henriques e a heróica fundação desta nação (contada na melhor versão made in USA);
- A padeira de Aljubarrota (sim! com o forno e tudo...);
- D. Pedro e Dona Inês (esqueçam a verdade, verdadinha histórica... era mesmo só amor e vingança);
- Vasco da Gama (Colombo?... Não senhor... Vasco da Gama);

E depois a moda pegava e era só ver a História de Portugal a ser conhecida por toda a gente...
Mas não, lá vêm os velhadas a dizer que não pode ser assim e o outro a fazer um filme sem imagem e os subsídios para o cinema Português e a verdade histórica...

As tretas do costume... Neste país da treta...

A mim já me chateia!

Hoje deu-me para isto, mas a verdade é que já me chateia que nos discursos políticos seja (frequentemente) dito:

- Eu cá sou um democrata. Eu lutei pela liberdade! (onde é que você estava no 25 de Abril, hã? Vamos lá a saber)

Por acaso, eu até sou anterior a 74, mas será normal (aceitável, razoável, necessário...) ainda hoje andar sempre a dizer isso? O que é que isso quer dizer para a malta que não estava lá ou, já agora, para a malta que lá estava?

Estava a comentar isto com uns amigos e ninguém se lembrava de ouvir, frequentemente, esta frase vinda dos nossos políticos. Eu posso andar a ouvir vozes na minha cabeça (já acredito em tudo), mas a verdade é que passo a vida a ouvir isto...

E o que é que isto quer dizer? Na prática?
Que a malta que lá anda deve ir toda para a reforma antecipada (ou já atrasada...) e que devemos dar lugar aos novos (que bela frase), que não tenham já sofrido uma lavagem ao cérebro (partidária) e não vão para lá dizer outras frases igualmente vazias e inúteis?

Talvez o mais simples fosse a malta entender, de uma vez por todas, e com 50 anos de atraso, que a solução para Portugal, eventualmente*, passa por:

- Aprendermos a deixar de ser corruptos (até a cunha, até a cunha!) e passarmos a ser pessoas sérias (integras e honestas - até, e é isso que o tuga ignora, por uma questão puramente economicista);
- Deixarmos de pensar no aqui e agora e conseguir ter uma visão de futuro (mas à séria, não daquelas da treta... algo útil, como PORTUGAL está aqui e para chegar além é preciso ISTO e ISTO e ISTO... é que por cá é mais eu estou aqui, quero ir para ali e o resto que se lixe, que não sei se morro amanhã... e se der para o torto vendo a empresa);
- Deixarmos de ser incompetentes e preguiçosos;
- Esquecermos a Esperteza Saloia (coisa mais estúpida);
- Começarmos a ter ideias inovadoras e a pô-las em prática (sem serem precisos tantos tachos que só um ano era para comprar o trem de cozinha);
- Começarmos a ter orgulho em nós e a querer ser reconhecidos pelas nossas qualidades;

Isto pode parecer uma conversa fiada (falam, falam e não dizem nada!), mas este país está por um fio, qualquer dia vamos todos para o raio que nos parta e continuamos a acreditar no Nacional Porreirismo (se em Portugal o Povo é Sereno então, com muita pena, não sou Portuguesa... DEVO TER SIDO TROCADA NA MATERNIDADE!)

*Já que toda a gente opina, que opine eu também!

Ainda dizem que é difícil entender as mulheres!

Depois da natação falhada, das portas e DELE também me ter virado as costas a MIM, quando virou as costas à tipinha (e por causa da touca na semana anterior e por causa do comentário provocador: Hoje também não vamos chegar a tempo, quando ainda íamos no carro e porque não engoliu a história da porta, como devia ter engolido, porque sabia que a aula era muito IMPORTANTE para MIM), a verdadeira BOMBA rebentou em casa...

Falei-lhe torto o fim-de-semana todo e foi ele (sozinho) que teve de tratar da filhota (eu só brincava com ela...).

Ainda dizem que é difícil entender as mulheres!
É tão simples... Um gajo só não vê que o acumular daquelas "coisinhas irritantes" só podia dar numa zanga monumental se não quiser ver (ou não conseguir... como a lógica das portas... não é para qualquer um...).

Agora passou-me pela cabeça... Lá nas portas, também era uma mulher!
Se fosse um gajo tinha sido diferente?
E, se sim, diferente como?

A lógica da porta certa (porque é que o Kafka nunca se lembrou disso?)

TAKE 1:

Vai de telefonar para o Estádio Universitário a saber se tinham natação para bebés. Que sim, que sim.

Então o que é que é preciso?
Cédula Pessoal (não tem! Pode ser o Boletim de Nascimento? Pode, pode, é verdade, agora chamam-lhe assim!);
Atestado médico;
Uma foto tipo passe (sim, tipo passe, não pode ser recortada...).

TAKE 2:

Sábado. Ao meio-dia resolvo sair de casa para a ir inscrever (toda contente com o atestado e com a foto tipo passe). Claro que dá tempo... e depois ainda vai à aulita das duas da tarde.

Secretaria do Estádio Universitário às 12h20. Tiro a senha e descubro que tenho 20 pessoas à minha frente.

Lá chega a minha vez e inscrevo a criatura. Então e posso vir à aula já hoje, não? Sim, sim... Claro.
E o que é que é preciso?
Fraldas Little Swimers (O que é isso?). Touca para o bebé (mas ela ainda não tem cabelo! TOUCA PARA O BEBÉ! O.K.) e touca para o acompanhante e chinelos (mas ela ainda não anda! Hum!... Bem, quando começar a andar precisa de chinelos...).

Saio a correr e vou ao Colombo à procura das fraldas e da touca para ela e da touca para o acompanhante. Ainda só são 13h30 e, afinal, a aula é às 14h35.

Lá vou eu por ali fora, no meu polinho, a pensar que a miúda vai à aula, não me chame eu Alice!
Chego a casa às 14h10. A miúda a dormir, o pai de pijama no sofá.
Vá, despacha-te que a aula começa às 14h35... Está aqui a touca e já comprei umas fraldas especiais.

Touca? Eu não vou de touca a lado nenhum... Vais tu com ela lá para dentro...

A miúda vai à aula hoje, não me chame eu Alice... Tenho é de fazer a depilação!

Como é por uma boa causa, lá salto para a banheira com aquele produto que diz que tira os pelitos no banho...e nem perdi tempo a pensar que aquilo ia estragar não sei quantas depilações com cera e nem fiquei muito chateada quando percebi que afinal aquilo só tira metade do que é suposto (pronto, talvez o banho tenha sido muito rápido).

Saio do banho. Pai esparramado no sofá. Criança a dormir.

ENTÃO? Ainda aí estás, exactamente na mesma? Eu é que tenho de fazer TUDO nesta casa?

Bem, são 14h30! Consegues arranjar tudo e estar lá em 5 minutos? Não, pois não? E eu sabia isso desde que chegaste a casa...

SE NÃO FOSSE A TUA TRETA COM A TOUCA, QUE ME OBRIGOU A ESTA TRETA DA DEPILAÇÃO TÍNHAMOS CHEGADO A HORAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A minha questão com a touca é uma questão de princípio!

Birra, minha, durante o resto da tarde!

TAKE 3:

Sábado seguinte.

Afinal, vou eu com ela para a água.
Quê? E a historia da touca?
Não podes dizer a um homem, de repente, que vai ter de usar uma touca... é uma questão de habituação à ideia. Agora já estou preparado, porque tive uma semana para me mentalizar.
E se fosses à merda?

Tudo pronto e na rua às 14h.
Tens lume?
Não!
Não é possível, a sério?
Sim!
Então vou ali tomar um café e compro um isqueiro. Vai pondo a miúda no carro.
E lá vou eu para o café! Tomo o café. Fumo o cigarro.

Tudo dentro do carro às 14h10.
Só que... o meu carro não pega... Nada... Bateria morta de todo!

Isto deve ter sido da chuva!
Quero lá saber... tira a miúda do carro... Vamos de táxi... Ela hoje tem natação, ou eu não me chame Alice! Conseguimos por o ovo num táxi, não conseguimos?
Conseguimos, mas também posso ir lá acima buscar as chaves do meu...
É verdade, pois é! Vai lá, CORRE!

Tudo dentro do carro dele.
São 14h20.
Duvido que se chegue a tempo!
E pronto, lá estás tu... Desta vez vai e vai mesmo!

Chegámos, estacionámos e corremos com a criança lá para dentro (porta de torniquete, segurança tem de abrir porque ainda não temos cartão, agora vai por aqui e por ali e entra na piscina directamente pelos balneários).

O pai vai para o balneário masculino e eu vou com a criaturinha para o das senhoras.

Saio a correr (por onde entrei, porque não vi mais nenhuma porta - não vi, não significa que não exista!) e encontro o pai, já equipado à espera (também saiu por onde entrou). Pega-lhe ao colo, ela também de touquinha e fato de banho e abrimos a porta de vidro (mesmo à nossa frente, mesmo colada à porta dos balneários e mesmo a um passinho da piscina onde estavam os bebés a ter aula).

Pronto! Já cá estamos e só são 14h43... Hoje é que ela tem aula... Eu não me chame Alice!

Estava verdadeiramente feliz! O pai de calção de banho, chinelos e touca com ela ao colo, também de fato de banho e touca... os dois à beirinha da piscina a verem os outros bebés lá dentro...

Eu, do lado de cá da porta de vidro, a 2 metros deles, a dizer adeus à pequenina, e que ia lá para cima e ia ficar a ver, e a dizer ao Pai para procurar o professor e para perguntar o que é que tinha de fazer na primeira aula.

De repente... assim do nada... aparece um "animal da espécie humana, género feminino" (post abaixo, como insultar quem nos trata por Ó mãe!, ainda não cheguei a nenhum conclusão).

Digo eu, na minha boa-fé, vá, vá pergunta como é que é, porque a aula já começou...

Diz ela, não pode entrar aqui com esses chinelos!
Mas são os meus chinelos de piscina.
Isso? E nunca andou na rua com isso? Isso não são chinelos de piscina!
São os meus chinelos de piscina, porque eu não sou daqueles que anda de chanata de enfiar no dedo...
Hum! De qualquer forma, não podia ter entrado por esta porta. Esta porta só está aberta hoje, por acaso, porque temos aqui uma turma de cadeira de rodas e era a única forma de entrarem. O senhor tem de voltar a sair e entrar pelas portas que têm acesso, directamente pelos balneários e que são estas aqui ao lado.
Nós estivemos nos balneários e não vimos nenhuma porta, mas da próxima vez procuramos melhor.
Não, vai procurar agora, vai sair, entrar no balneário e voltar a entrar aqui pela porta certa.
Mas a aula já começou, não começou? Não podemos fazer isso da próxima vez, já que já estamos cá dentro?
Não, não pode porque regras são regras e, para além disso não faço ideia se a aula já começou porque ainda não me disse o nome da criança!
Não disse, porque não me perguntou e, para além disso, esqueça as portas e as regras, porque a minha filha nunca mais aqui põe os pés!
E é aí que o meu marido me põe a criança nos braços e vira costas ao "animal da espécie humana, género feminino".

E, ali fico eu a tentar dialogar com a criatura que só fala em portas certas e me chama ó mãe e me diz que, se desta vez, eu aprender as portas certas, da próxima vez já posso ter aula porque já vou entrar pela porta certa e que está a ser o mais educada que consegue face à nossa completa ignorância sobre a lógica das portas certas e que aquela só está aberta por causa das cadeiras de rodas senão estaria fechada, porque as regras são estas!

Mas a aula já começou, não começou?
Ó mãe, já lhe disse que não sei, porque ainda não me disse o nome da criança.
Era a aula das 14h35...
Claro que já começou... essa aula está praticamente no fim...
Então esta conversa não faz sentido nenhum, porque já não vou a tempo...
Faz sentido porque, para a semana, já sabe as portas certas.

Foi ai que lhe virei as costas e ainda a ouvi, ao longe, a dizer:
-Ó mãe! Eu estava a ser educada e a tentar, com muita calma, explicar o que é que tinha de fazer...

Como não lhe respondi, ainda a ouvi dizer: Então boa tarde! E a porta que não devia estar aberta, quiçá, nem sequer existir, fechou-se.

Agora, a criatura vai ser inscrita no Sporting (pelo pai, que está agora a chefiar a operação natação e se empenhou pessoalmente no caso).

Fico à espera do próximo sábado e da “natação take 4”.
Seja onde for, desta vez vou para lá uma hora antes!
Pode ser que a lógica das portas também seja demasiado complicada para as nossas mentes simples (e cegas pelos nervos de levar o bebé pela primeira vez à natação) e vai ser preciso tempo para fazer tudo certinho.

agosto 12, 2006

Verão

Já estava metida na água à espera que lhe trouxessem a botija de oxigénio [pronto! garrafa de ar... Eu nem sei nadar, quanto mais... :)))))] quando de repente se lembrou que não sabia nadar, quanto mais mergulhar e voltar para cima outra vez e ir até à margem e dar um saltinho para fora se a coisa começasse a correr mal, ou tivesse frio, ou uma cãibra.

Nunca lhe ocorre que não sabe nadar, a não ser quando está quase, quase a fazer alguma coisa que a pode afogar.

Nunca se lembrou de aprender a nadar, nem esqueceu a fantasia de um dia mergulhar em águas profundas e descobrir, descontroladamente, os mistérios do mar.