Insistir em meter o pai da criança ao barulho é uma falsa questão, carregada de hipocrisia e egoísmo, atirada, de forma demagógica para o debate, como manobra de diversão, fazendo, neste caso, as “mulheres do SIM” parecerem ainda mais pérfidas e os “homens do SIM” autênticos paus mandados, desprovidos de vontade própria.
Nesta batalha entre o bem e o mal vale tudo, até a tolice, envolta em elevada sapiência!
Algum dos senhores/as se sentiu incomodado/a por, actualmente, apenas a mulher, os médicos e as parteiras se irem sentar no banco dos réus?
Algum dos senhores/as pensou que, talvez, as mulheres preferissem ter os tais filhos que abortam, se pudessem contar com o apoio dos seus companheiros?
Quantas histórias se conhecem de homens que queriam ter o filho e, porque a mulher, mesmo assim, abortou, ficaram traumatizados para toda a vida?
Deixem de se preocupar com fantasias das vossas imaginações férteis, que só as víuvas beirãs (e eventualmente, algumas transmontanas*) é que vão nessa cantiga!
A biologia é mesmo lixada.
De facto, somos nós que os temos, somos nós que somos mães solteiras, somos nós que, quando decidimos ter um filho sem consentimento do pai ouvimos dizer que somos umas manipuladoras, que fizemos aquilo de propósito para o agarrar... coitadinho!
O pai tem de ter uma palavra a dizer? Se todos os pais do mundo tivessem uma palavra a dizer e essa palavra fosse “SIM, quero ter essa criança”, talvez não existissem tantos abortos.
Estou a dar a volta à questão? A mostrar o meu ódio para com o sexo masculino? Tenham paciência!
Esta ideia, errónea, que querem fazer passar de que a mulher aborta e o homem, coitadinho, não quer, só pode estar enquadrada na tal lógica do sentido de humor que Deus quer que tenhamos! Insistem em dar tanta importância a isso porquê? Para justificar existirem mais homens que mulheres no Blog? Essa necessidade de justificação é tal, que não se importam de, repetidamente, passarem a ideia de que a grande maioria dos homens, coitados, não querem que as companheiras abortem e elas é que insistem em fazê-lo à sua revelia?
Se querem meter o homem ao barulho, também terá de ser para o obrigar a assumir o seu papel, mesmo quando ele não quer. Aliás, as sondagens parece que dizem que há mais homens que mulheres a favor do SIM.
Não está na pergunta a frase "com consentimento do companheiro" (como acontece na Turquia, caso único na Europa!)... Se estivesse, o que é que mudava?
Se a mulher quiser e o homem quiser: faz-se! Mas vocês não são contra, de qualquer maneira? Porquê perderem-se em questões menores?
Se a mulher quiser e o homem não: Não se faz! Podendo, no entanto, a mulher recorrer a um vão de escada clandestino, a um hotel em Madrid, ou ao argumento de que o Pai da criança é outro, e esse outro até concorda com o aborto, vai lá com ela e assina que sim. Convém não esquecer que uma qualquer queda aparatosa nas pedras da calçada, também pode ajudar!
Se a mulher não quiser e o homem quiser: Não se faz! Estamos todos de acordo? Não vamos ouvir ninguém dizer que o homem, coitado, não tem poder de decisão e foi obrigado a ter um filho, mesmo não querendo? Ninguém vai dizer que a lei favorece claramente a mulher, nesta questão? Ninguém vai dizer que, na prática, a mulher pode escolher e o homem não?
Admitimos todos, então, que a mulher é o elemento absorvente nesta questão, como o zero na multiplicação e não há volta a dar-lhe?
Será este Cavalo de Batalha feito de Pau Oco?
Muito barulho por nada?
* Referência a um Post do Franco Atirador: "Um leitor esclarece em comentário que, segundo uma sondagem do DN, entre os apoiantes do não a maioria são mulheres. Bem, eu confesso que não vi essa sondagem. Mas se ela for nacional e incluir amostras representativas das viúvas beirãs e transmontanas, não tenho dúvidas que assim é: não só apoiam o não, como também apoiariam, se lhes perguntassem, o saudoso El Rey Dom Miguel." Este meu comentário foi colocado nesse mesmo blog, em resposta a um partidário do Não, depois de uma partidária do Não se ter mostrado chocada porque, na pergunta do referendo estava escrito, apenas, "por opção da mulher".