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outubro 31, 2006

Maioria portuguesa a favor do Sim

Segundo uma sondagem divulgada pela TSF, 63% dos portugueses concordam com a despenalização do aborto (no âmbito do referendo) e apenas 27% não concordam.

A favor do SIM, maioritariamente homens, jovens e classe média-alta da Grande Lisboa, Grande Porto e Litoral.
A favor do NÃO, maioritariamente mulheres, idosos e classes baixas do Interior e Sul do país.

Pela leitura dos resultados, acredito que exista aqui pano para mangas do lado do Não, senão vejamos:

- A favor do SIM, estão maioritariamente homens (não são eles que engravidam e abortam estando, em consciência, apenas a permitir que sejam as mulheres a decidir), jovens (irresponsáveis, pela curta experiencia de vida, que tendem a considerar o aborto como mais um método contraceptivo, precisando, por isso de informação e não de despenalização), Classe média-alta (que tem dinheiro para ir ao estrangeiro e condições para ter o bebé se realmente o quiserem). Estas pessoas vivem, maioritariamente nos grandes centros urbanos e litorais, (que são, como todos sabem, os locais onde a espiritualidade que falta à sociedade actual mais se assentua).

- A favor do NÃO, estão maioritariamente mulheres (essas sim é que engravidam, e essas preferem outras soluções), idosos (que, pela experiencia de vida que já tiveram e a sensatez própria da idade são, obviamente, pela vida), classes baixas (que assim demonstram que não querem que o Estado as ajude a abortar, mas sim a ter os filhos em condições). Estas pessoas vivem, maioritáriamente no interior e sul do pais, (ultimo reduto de alguma humanidade nesta sociedade fria e impessoal).

Apenas uma dúvida, incluem nos "jovens" homens e mulheres, ou por "jovens" deve entender-se "jovens do sexo masculino"?

Certamente existirá alguma diferença entre dizer que a favor do Não estão, maioritariamente mulheres e dizer que a favor do não estão maioritariamente mulheres com mais de X anos.

outubro 28, 2006

BLOGUE DO NÃO à guerra!

[comentário colocado por mim (pelo que não é plágio) no Blogue do Não, mas que me apeteceu "meter" aqui, para mais tarde recordar]

Pronto, vamos todos votar NÃO! E, os defensores do NÃO ao aborto (e SIM à vida), podem seguir em frente, com novos projectos como:

- O blogue do NÃO à guerra;
- O blogue do NÃO à tortura;
- O blogue do NÃO ao envio de tropas portuguesas para zonas em conflito;

(ou a vida de um feto de 10 semanas, ainda sem consciência de si, é mais importante que a vida de seres já nascidos?).

Se alguém responder, não vale dizer apenas que é igualmente importante (já que umas causas têm direito a blogue e outras não).

Dizer que só esta questão está em referendo, também é pouco, dada a importância incontornável e inatacável da vida humana.

Dizer-me que estou a ser lírica e demasiado ingénua, na minha vontade de acabar com a guerra no mundo... E que o melhor (mais realista e mais prático) é defender a Convenção de Genebra, também não sei se será uma boa aposta...

outubro 27, 2006

Despenalização da IVG, uma decisão exclusiva da mulher?

(reflexões sobre algumas das perguntas colocadas aqui)

- a nova vida em gestação é propriedade absoluta da mulher? Em todas as situações, em qualquer caso, só a sua opção deve contar?

Não! Claro que não deveria ser só a sua opinião que deveria contar, mas como é que garantimos isso?
Imaginemos que a mulher quer fazer uma IVG e o marido, namorado, amigo (pai da criança) não quer! Ou se chega a um compromisso, ou como é que o homem em questão consegue exercer o seu direito de pai, já que o filho está na barriga da mãe? Fecha-a em casa, até a criança nascer e fica de vigia 24 sobre 24 horas para se certificar de que ela não faz nada que possa por em risco a vida do feto, usando-a como simples incubadora?

Outro cenário, seria imaginar (tendo sido a IVG despenalizada) um marido, namorado, amigo (pai da criança) a arrastar uma mulher para o hospital porque ele queria que ela fizesse uma IVG e ela, por outro lado, queria ter a criança. É complicado lidar o desespero da mulher, amarrada à mesa de operações a ver o seu corpo ser invadido para lhe fazerem algo que ela não queria que lhe fizessem.

Por mais voltas que se dê, é a mulher que tem o filho na barriga e, justo ou não, é ela que decide. É daquelas verdades incontornáveis. Parece a questão das Nações Unidas e da Guerra do Iraque. Discute-se, discute-se e, no fim, se o elo mais forte não concorda vai lá sozinho e ninguém pode fazer nada (quando digo, não pode, é não pode mesmo... porque ninguém tem capacidade bélica para tal). É a lei do mais forte, com ou sem razão, simplesmente.

O envelhecimento da população e a despenalização da IVG

(reflexões sobre algumas das perguntas colocadas aqui)

- num país que nitidamente se encontra a envelhecer, no que respeita à sua população de nacionais de sangue, faz sentido que se dê um sinal que se aceita e defende o limite ao nascimento de portugueses de sangue, não renovando e deixando que se debilite essa faixa de população?

Não acredito que uma coisa tenha a ver com a outra (embora muitos queiram fazer parecer, propositadamente, que sim). As IVG vão continuar a existir, quer seja legal ou não. Não vai desatar tudo para aí a abortar só porque é legal, como não vão deixar de se fazer abortos só porque é ilegal.
O problema da baixa natalidade é uma consequência directa das condições de vida dos portugueses em geral. Ter filhos fica caro e não há muito dinheiro para investir.
Os abortos, maioritariamente, são feitos por pessoas que não estão casadas (ou não vivem juntas nem planeiam viver juntas) e são bastante jovens.
A decisão de não ter filhos, ou ter apenas um (ou dois...) é tomada, em consciência, pelo casal. E, não abortam quando ficam grávidos, tomam a pílula.
Esta relação, que alguns pretendem directa, entre a despenalização da IVG e o envelhecimento da população portuguesa (que nos preocupa a todos) é pura demagogia.
Não é uma coisa que vai minorar ou agravar a outra.

- será que toda a população que nos vai chegando e enformando a nossa sociedade nasceu e desenvolveu-se nas condições perfeitas de concepção, gestação, nascimento e crescimento até ao estádio de adulto e ao momento da imigração?

Não! Mas isso significa que, para engrossar as fileiras de população jovem, devemos apostar na quantidade (de vidas) em detrimento da qualidade (de vida).
Qualquer dia estamos a dizer que, a partir de determinada idade, todas as mulheres são obrigadas a procriar (e serão inseminadas, natural ou artificialmente) como forma de contribuir para o rejuvenescimento da população. Passa a ser um género de “serviço militar obrigatório”. E ninguém aborta, porque adoptamos o estilo de alguns países em tempo de guerra... consegues andar e tens força para segurar numa arma, então toma lá e vai combater.

O programa que não consegui ver...

Mesmo que o Aborto seja despenalizado no mundo inteiro, casos como o que vou relatar abaixo vão, com certeza, continuar a existir. Duvido que determinadas pessoas, uma vez grávidas, pensem sequer no assunto (e nem me passa pela cabeça acreditar que é com a despenalização que isto se resolve).

Por isso, o meu post nada tem a ver com a importância de despenalizar o acto, mas tão-somente com a fraca qualidade de vida que, infelizmente alguns têm.

Como nada disto é inocente aviso, desde já, que na minha humilde opinião, ao serem questionadas sobre a hipótese do aborto, as pessoas em causa talvez dissessem que não, que nunca fariam tal coisa porque a vida humana é sagrada (mas é só a minha humilde opinião, parcial e fortemente influenciada pelas minhas convicções pessoais).

Também não é minha intenção generalizar aquilo que penso sobre este caso específico, para todos os outros casos (e todas as pessoas que, genuinamente e incondicionalmente, defendem o direito à vida e se responsabilizam seriamente pela decisão que tomaram).

Na quarta-feira, depois de terminado o programa sobre os grandes portugueses, fiz o meu zapping e fui direitinha para a Sic Notícias onde pude ver uma reportagem (o programa ia a meio, pelo que não posso fazer o devido enquadramento) sobre a vida de alguns mendigos / vagabundos / ladrões / alcoólicos / prostitutas na Rússia (podia não ser Rússia, falavam aquilo que eu entendo por russo, mas só isso).

Fiquei a ver, até que foi aprofundado o dia-a-dia de uma família cujo pai era ladrão (foi ele que se identificou assim), a mãe era prostituta (também se identificou assim). O casal tinha dois filhos (o mais velho devia ter 4 anos e o mais novinho teria, se tanto, 10 meses...).

O pai era alcoólico (segundo ele, porque só com os sentidos toldados para a sua triste realidade podia suportar a vida que tinha, a profissão da mulher e a fome que os filhos passavam).

O alcoolismo do tal pai era de tal forma grave que, segundo ele admitia, tinha ressacas muito fortes e desequilíbrios psicológicos quando não conseguia a sua "dose".

A reportagem mostrava esta família naquele ambiente sujo, degradado e pobre. Mostrava o pai completamente fora da realidade com convulsões estranhas e os olhos no vazio. Mostrava a mãe, sempre com o mais pequenito ao colo (ainda não sabia andar) e o filho mais velho a brincar por entre o lixo e a "meter-se" com o pai à espera de carinho (ou apenas de uma brincadeira). E voltava a mostrar o pai, lá no canto, sozinho a olhar para o vazio e a gritar-lhe que se fosse embora.

No meio de tudo isto, a mãe diz que o marido é muito agressivo (por causa do álcool) e acaba por dar um exemplo (um, entre muitos).

Um dia, na rua, a caminhar pelo alcatrão, à beira dos carros e do barulho, a mãe levava o pequenino ao colo e o pai levava o outro pela mão. Assim, sem mais (por causa do álcool, ou porque a mulher era prostituta, ou porque tinham aquela miséria como vida, ou porque ela estava a ser chata) o pai deu um murro na cara da mãe que se desequilibrou, largou o filho que tinha ao colo e caiu. O filho também caiu, da altura do colo da mãe, no alcatrão e começou a chorar. A mãe começou, também, a chorar. O pai, para a calar (ou porque ela estava a irritá-lo cada vez mais) pegou no outro filho e arremessou-o contra ela (como se fosse uma pedra).

Pára um carro, querem levar o homem preso. A mulher chora, os filhos choram e o pai continua aos berros... (o resto não sei... não aguentei mais. Foi depois disto que não consegui ver mais nada, fui-me sentar à beira da cama da minha filha que já dormia, e acabei por ir dormir, também, com um peso enorme no coração e uma enorme certeza de que há vidas que se pudessem escolher, escolhiam não o ser).

outubro 26, 2006

O programa que vi...

Ontem vi o programa "Grandes Portugueses" e gostei, pelo melhor e pelo pior.

Foi assustador ver criaturas estudantes de comunicação social que não conseguiam falar correctamente (talvez do nervoso da televisão, talvez não!), tal como foi assustador ver comentários desprovidos de qualquer sentido lógico (do meu sentido lógico, evidentemente).

Mas, foi bom ouvir que aquilo é um programa lúdico (o meu medo, de que alguns acreditem demasiado não é só meu, pelos vistos e a questão foi abordada).

Foi engraçado ver a peça sobre o que se disse do programa noutros programas e noutros fóruns (não escondem que houve discussão e falaram disso).

Os comentadores (os que sim, os que mais ou menos e os que não concordavam nada com aquilo).

Mais importante que tudo, fica a ideia de que, seja qual for o resultado, o programa vai mostrar qual a perspectiva que os portugueses tem de si mesmos. O que é que valorizam os portugueses médios, quais são os seus heróis, as pessoas que admiram e as características que destacam.

Pode ser apenas uma "bimbalhice", um programa para gerar audiências, nesta eterna guerra das audiências.
Pode ser uma grande irresponsabilidade (já que se está a dar ao português médio a oportunidade de se pronunciar, sem que se lhe reconheça capacidade para isso, em assunto de tamanha importância).

Talvez, ao estarmos contra o programa, estejamos (no fundo, bem lá no fundo) a não querer saber (porque vamos ficar mais que furiosos) o que é que é importante para o Zé Povinho (aqueles que têm os tais comentários desprovidos de lógica e falam aos trambolhões).

É que, qualquer que seja o resultado, de alguma forma teremos de lidar com ele. Vamos ter de olhar para as escolhas feitas pelo tal português médio e vamos ter de as digerir.

É, de facto, um programa lúdico sendo ao mesmo tempo sério.

O resultado já lá está, na cabeça das pessoas (quer se divulgue, quer não), o pior cego é aquele que não quer ver e os atestados de incompetência que se continuam a passar aos portugueses em geral não alteram em nada a realidade do nosso país e da nossa cultura, dos nossos mitos e das nossas referências.

Para além disso, tivemos, ao longo da nossa história, excelentes portugueses e foi agradável estar umas horas a ouvir falar disso. Ser positivo é bom e sabe bem, embora não estejamos muito habituados!

E como lá disseram, não nos podemos levar tão a sério (às vezes) e tão a brincar (outras vezes).
Não podemos continuar a querer esconder o português médio bem escondidinho, porque não sabe o que diz e só diz asneiras, porque o português médio somos, afinal, todos nós!

outubro 24, 2006

Ainda hei-de estar cá para ouvir...

... dizer que existem suspeitas de que alguns dos médicos que são objectores de consciência nos hospitais públicos têm "relações próximas" com clínicas privadas que praticam a IVG (por questões morais, eu não faço isso, mas pode sempre recorrer a outros sítios, como ESTE, por exemplo!).

Isto se o referendo popular determinar a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, obviamente.

Pode ser que volte a polémica das Farmacêuticas, desta vez com as Clínicas IVG.

Os blogs do NÃO entraram-me pelos olhos adentro!

Andei pela blogosfera à procura de sítios pró-aborto (podia ter escrito mais bonito, chamar as coisas por outros nomes ou adicionar um pouco de poesia, mas apeteceu-me chamar os nomes às coisas).

Os blogs do NÃO entraram-me pelos olhos adentro, mesmo sem querer, já que havia links em quase todos os locais que frequento (atenção que, “mesmo sem querer”, não é o mesmo que “mesmo não querendo”, porque fui lá e li).

Pareceu-me que o SIM não tem grande expressão nesta imensa comunidade blogosferica e pus-me a pensar porquê?

- Porque acham que está ganho à partida? (como quase estava da outra vez e depois não esteve? Ainda me lembro do discurso do Paulo Portas, quando ainda não se sabia o resultado final, mas as sondagens davam a vitória ao SIM. Provou, por A+B que o SIM ganhava “por uma unha negra” e, como tal, não tinha qualquer legitimidade! Demonstrou ali, brilhantemente, que embora ganhasse o SIM, era o NÃO que ganhava. Tenho pena que nunca se tenha pegado nesse magnífico discurso – foi em directo, como comentador numa das televisões – e se tivesse virado o feitiço contra o feiticeiro, mas isto é só um aparte);

- Porque é difícil defender o SIM? Claro que é! É difícil defender que somos nós, e só nós, que devemos decidir pela existência ou não existência de um ser humano. É difícil ter coragem para optar pelo mal menor.

Continuei à procura e lá descobri uns blogs do SIM! Assustei-me, na maioria dos casos (mas não vi todos, reconheço). Se não tivesse, eu própria, feito um aborto, ficava logo ali rendida ao NÃO... E até perdi tempo a ver este vídeo (o que é isto? Qual é a pertinência disto, para o que está em discussão?).

Entretanto, cheguei aqui, aqui e aqui e agradeço-lhe a possibilidade que me deu de poder ler dos melhores textos sobre o aborto. Obrigada!

outubro 23, 2006

Agora, parece, que já é oficial (oficioso)...

Abertas as votações:

Pior português de sempre: Vote aqui

Melhor português de sempre: Vote aqui
(pode aproveitar também, se quiser, para ficar a saber quem foram os mais votados nos outros países)

Alguém sabe se nos outros países também foi assim?
Preciso MESMO de saber, ou já nem durmo bem!

outubro 20, 2006

Impedida, que estou, de comentar aí

Diga lá se acertei no quiz:

Caotinha,na província de Benguela em Angola!

(se não é, é muito parecido... :))

EDUCAÇÃO

Pelo que tenho lido por aí, parece que o ME se chegou atrás em alguns pontos do novo Estatuto da Carreira Docente, mantendo, no entanto, a questão da imposição de quotas para aceder ao topo da carreira, inalterável.

Os professores estão, contentes por um lado e descontentes, por outro.

Contentes, porque viram satisfeitos alguns dos seus protestos.
Descontentes, porque a questão das quotas se mantém.

Há até, quem desconfie que a questão das quotas era a única coisa importante para o Governo e o resto era só para encher chouriços e ter margem de negociação (como esta desconfiança me parece lógica, presumo que o Governo também deve estar contente).

Eu é que continuo na minha. Nem o Governo nem os professores se preocupam com a Educação em Portugal, mas tão-somente com os seus umbigos (por um lado) e com a chatice que é o peso da Administração Pública (por outro).

E é assim que continuamos por aqui todos a encher chouriços e a discutir pormenores sem nunca irmos ao que interessa e ao que é verdadeiramente importante.

Eu cá, alinhava já numa greve, que havia de se manter, até que alguém conseguisse discutir as coisas a sério!

O resto, é só conversa de merda. E o tempo que se perde em conversas de merda em Portugal... E toda a gente acha normal... até perdemos tempo a tomar partido por uns ou por outros!

Não resisto a listas paralelas!

Fui ali votar no pior português de sempre.

Mas, também fui ali votar no melhor português de sempre.

O Pior português de sempre: optei pelo João César Monteiro, porque me insultou e embirro com ele de tal foma, que até lhe dediquei o primeiro post "a sério" deste blogue. Tinha que ser o gajo (até porque, outros com os quais também embirro já tinham sido mencionados).

O Melhor português de sempre: Votei em três (SMS, e-mail e telefone!): D. Afonso Henriques (não era português, mas foi ele que "inventou" Portugal, pelo que é uma escolha evidente), Infante D. Henrique, D. João II.

Palpite relativamente ao concurso: Ainda ganha a Amália, o Eusébio ou o Figo!!!!!!!

Relativamente aos portugueses em geral (nos quais me incluo):

Quando nos pedem para votar nos melhores, temos logo que arranjar uma lista dos piores (on the side). Somos lixados, raios nos partam... E bipolares e maníaco-depressivos...

E podia tirar deste concurso grandes ilações filosóficas e antropológicas, mas não me apetece (além do que, tenho que ir cortar as unhas dos pés).

Antes de ir, no entanto, que diabo é o melhor português de sempre? Serve para quê? Vai ter alguma validade ou é só para entreter a malta? É que ainda pode haver pessoas que levem isto a sério e depois acreditem, mesmo, no resultado final... (vou é cortar as unhas...).

outubro 18, 2006

Futebol

"Postiga parece estar ligeiramente fora de jogo"

Comentário ao jogo Porto / Hamburgo para a Liga dos Campeões.
RTP 1 - Futebol Resumos (ontem)

outubro 16, 2006

Eu fiz um aborto!

E não concordo com o José António Saraiva, quando diz no Sol de 14 de Outubro que “Ora, dêem-se as voltas que se derem, toda a gente concorda numa coisa: o aborto, mesmo praticado em clínicas de luxo, é uma coisa má. Que deixa traumas para toda a vida”.

O meu aborto deve ter sido feito numa “Clínica de Luxo” (em Lisboa). Pelo menos, tive direito a duas consultas antes, duas consultas depois, análises ao sangue e à urina, ecografia e uma equipa composta por anestesista, enfermeira e obstetra.

Fiz o aborto quando estava grávida de 8 semanas, mas descobri quando estava de 6 semanas (estive numa pequenina lista de espera). Sabia o que era a pílula e o preservativo e isso tudo, não me posso desculpar com nada.

Tinha 24 anos. Já tinha acabado o curso. O namorado que esteve comigo nessa aventura é, actualmente, o meu marido e o pai da minha filha (que quisemos ter, muito bem planeada, já bem depois dos 30 anos).

O aborto é uma coisa má?
Pior é ter um filho sem o querer. Para o ser humano que dali havia de vir, pelo menos, havia de ser bem pior não ter sido desejado que nem sequer ter tido consciência de si (mas nunca vamos saber, não é verdade? Deixem lá, ele nunca soube que não ia saber). Porque amo verdadeiramente os meus filhos, só os tenho quando sei que os posso ter. Não sou pela morte, sou pela qualidade de vida.

Deixa traumas para toda a vida?
Não, não deixa. O que me havia de deixar traumas para toda a vida, seria ter tido um filho quando não estava emocionalmente preparada para o ter (sim, escrevi emocionalmente, não escrevi financeiramente). E o meu trauma havia de se reflectir num trauma dele, de certeza, e isso é que eu não iria aguentar.

Nunca me arrependi, nunca me senti culpada, nunca tive pesadelos! Limitei-me a fazer tudo o que podia, para não voltar a engravidar, enquanto não quisesse.

Também nunca pensei “Deixa lá! Tens o filho e tudo se vai arranjar”, porque os filhos são demasiado importantes para se entrar nessa do desenrasca e depois logo se vê.

Nunca pensei que era melhor ter a criança e dá-la para adopção, porque não brinco dessa forma com a vida das pessoas (é verdade, prefiro eliminá-los, escolher negar-lhes a existência, escolher, por eles, o que é melhor para eles antes de nascerem! É uma questão de responsabilidade. É remediar uma asneira, sem fazer uma ainda maior!).

Para além disto, defendo a eutanásia, já que acredito que cada um faz com a sua vida e a sua morte o que bem entende.

Mas não defendo o casamento entre homossexuais (embora a questão me passe um bocado ao lado) e espero que nunca possam adoptar crianças (aí sim, sou firme na minha convicção).

Não tenho paciência nenhuma para drogados, nem pena, nem nada. Mas também não tenho paciência nenhuma para os Barões da Droga. A droga é ilícita e não há meio de acabar. Podíamos experimentar outra solução... desde que os grandes produtores mundiais nos deixem!

Não sou de esquerda.

Não tenho qualquer atracção pela morte. Aliás, detesto-a (é o único inconveniente de se estar vivo).

Porque é que, de repente, estou (eu mais o meu aborto), no mesmo saco que os homossexuais, os doentes terminais e os de esquerda?

E os doentes terminais (que gostariam de optar pela eutanásia) têm de defender mulheres de t-shirt a dizer “Eu abortei”? Não podem ser contra o aborto?

Este artigo do Sol foi dos piores que li nos últimos tempos. Muito fraco. Há quem defenda o NÃO e o faça com bastante mais mestria (e sem baralhar, de forma tão irresponsável, tantas questões num texto só... e pequenino).

outubro 14, 2006

Centro de Emprego - sessão de esclarecimento para qualificados (I)

Recebi a convocatória acima. Deveria apresentar-me no Centro de Emprego, sob pena do subsídio ser suspenso.

Chego e vejo não sei quantas senhoras de convocatória (igual à minha) na mão, muito nervosas a querer saber onde é que aquilo se entregava.

Chega logo uma ao pé de mim (eu também devia estar de convocatória na mão!) e dispara:

- És professora?
- Não.
- É pá! Então hoje não há cá professores? Bolas, somos sempre só professores e hoje ainda aqui não encontrei nenhum.
- Então sabe para que é que isto é?
- É pá! Trata-me por tu... Sei, sei... é uma lavagem ao cérebro, para nos convencerem a fazer cursos de formação e deixar de ser professores!

(e que isto está tudo maluco, e a ministra é maluca e as listas é só rir e as colocações são uma anedota)

- Bem! A ideia que fica, para quem está a ver de fora, é que os professores são um bocado baldas (arrisco eu, já que ela estava tão à vontade).
- É o que parece, mas isso era antigamente! Agora não... a malta é que não sabe o que se passa nas escolas!
- É que eu conheço uns quantos que passaram o activo quase todo de baixa...
- Isso antigamente era verdade, agora já não...Mas compreendo que quem está de fora ache isso... É verdade que temos muito maus exemplos na nossa Classe.

(mas temos direitos e agora querem-nos tirar esses direitos! Ainda se não os tivéssemos tido, mas tirarem-nos tudo depois de tanto tempo a lutar por alguma coisa, é demais!)

- E agora até vamos ser avaliados pelo Conselho Directivo, vê lá tu!
- Mas queriam progredir na carreira assim, só porque sim? É perfeitamente natural que as pessoas sejam avaliadas...
- Pois, mas pelo Conselho Directivo é que não! Isso é que está mal.
- E agora são avaliados por quem?
- Bem, por ninguém. Mas não há problema em sermos avaliados, nós não estamos contra isso! Nós não queremos é ser avaliados pelo Conselho Directivo.
- Porquê?
- Porque passava a ser preciso andar a lamber botas, porque se eles não vão com a nossa cara estamos lixados...
- Mas têm de ser avaliados por alguém!
- Bolas! Temos ali alunos todos os dias, se não formos bons, há reclamações!
- E essas reclamações têm consequências, de facto?
- Não!
- Pois!
- E agora ainda querem que também sejam os pais a avaliar os professores! Era o que faltava... se dermos negativas, lá se vai a nossa evolução de carreira!
- Então os alunos que ali estão todos os dias também não servem, eles e os pais, para vos avaliar?
- Claro que não! Não te parece lógico?
- Sim parece-me lógico que alguns pais, a maioria eventualmente, passe a classificar os professores de forma igual àquela que esses professores classificam os filhos deles e também compreendo que seja, infelizmente, preciso lamber botas para ter boa nota no Conselho Directivo... Mas acho que a evolução de carreira de qualquer pessoa tem de passar por algum tipo de avaliação de desempenho (e a avaliação de desempenho tem de ser feita por quem trabalha directamente connosco).
- Claro! Nós concordamos com isso tudo! Assim é que não... a Ministra não sabe o que anda a fazer. Quer dar mais autonomia às escolas apenas para que as escolas possam meter lá as cunhas e isso é que quem está de fora não vê!

Eu tive uma professora de português no meu quinto ou sexto ano (na altura, no primeiro ou segundo), que não ia à bola comigo! Sempre que eu punha o dedinho no ar para responder ela ignorava. Eu bem esticava e esticava e nada! As notas eram, obviamente, uma vergonha!

Por que carga de água é que eu tinha de estar a ser avaliada por uma gaja que não ia à bola comigo, só porque eu meti na cabeça que não havia de lhe perguntar pelo sobrinho que estava em coma há anos? É que, se bem me lembro, era o tema principal de quase todas as aulas...

Isto, sem qualquer desprimor para a professora de hoje, com quem até troquei números de telefone, fui tomar um café a seguir e ainda nos fartamos de rir à conta dos professores, dos alunos e daquela convocatória!

Os funcionários privados não têm paciência para merdas destas... E OS FUNCIONÁRIOS PRIVADOS TAMBÉM EXISTEM, caramba, e parece que também contribuem para o ordenado dos PÚBLICOS!

Custa tanto ao funcionário privado aturar este tipo de coisas, como custa aos "pobres" verem os "ricos" a queixarem-se de que só têm um Porche e o que queriam mesmo era um Aston Martin.

É a luta de classes entre os Privados (os empregadotes) e os Públicos (os funcionários)!
E os públicos é que são os capitalistas... que todos gostaríamos de ser, mas que já não temos grande pachorra para aturar (que nos doem os cotovelos)!

outubro 12, 2006

Mulher que fica sem emprego...

... Após regressar de Licença de Maternidade, o que é que diz quando vai a uma nova entrevista de emprego e lhe perguntam "Está desempregada porquê"?

1) O gajo que me foi substituir era melhor que eu, (sou incompetente e como tal, fui corrida)?
2) O gajo que me foi substituir é gajo, (tenho a mania da discriminação)?
3) Os tipos eram todos uns parvos e eu também não gostava nada de lá estar (sou conflituosa no local de trabalho)?
4) Quis vir para casa tomar conta da criança (e agora mudei de ideias, porque nunca sei o que quero)?

Há perguntas para as quais nunca tenho uma resposta "politicamente correcta".

Porque a verdade, verdadinha é que nunca gostei de lá estar. Quando me disseram que achavam que eu não ia voltar depois da licença (acharam porquê?) e me propuseram o "negócio" da rescisão amigável fiquei, é verdade, contente.

A minha sanidade mental melhorou muitíssimo, mas não posso dizer isto numa entrevista de emprego!
E só falta uma hora e meia.

Cheira-me que este post, não tarda nada é apagado!

Porque eu queria mesmo era dizer que, de facto, há mulheres que ficam sem emprego porque tiveram filhos. De facto, cada vez têm menos filhos. De facto a população está a envelhecer. Qualquer dia há mais velhos que novos. Qualquer dia somos penalizados pelo Estado porque não queremos ter filhos, mas continuamos a correr um grande risco no mercado de trabalho se os tivermos!

Porque as crianças adoecem e os infantários não as querem lá! Porque durante um ano temos direito a trabalhar menos duas horas por dia. Porque temos de ir buscar os putos à escola. Porque temos uma vida para além do trabalho e é complicado marcar reuniões para as 8 da noite ou ao sábado no Porto!

As mulheres com filhos são uma chatice para as empresas. Por isso, as mulheres (que precisam de ganhar dinheiro, por causa da economia familiar) têm cada vez menos filhos (não é só por isso, também é porque os ordenados são uma lástima e os filhos são caros).

Como as mulheres têm cada vez menos filhos, temos um buraco na Segurança Social (não é só por isso, mas isso também ajuda).

Mas a inteligência saloia e a curto prazo dos nossos brilhantes gestores continua a achar que assim é que se optimizam as empresas. Até não haver pessoas para trabalhar... daqui a uns séculos. E a oferta ser menor que a procura, e se inventarem ainda mais máquinas para substituir cá a malta.

Quero ver é se também são as máquinas que vão comprar os belos produtos que as nossas empresas vão querer vender!

Mas deve ser de mim (assim à bruta e sem citar grandes pensadores e correntes económicas), porque não devo estar a ver bem e o Senhor Mercado (esse grande C.) vai resolver tudo (e quem se F. sou só eu!).

Estou mais que furiosa (óptimo estado de espírito para uma entrevista) e mais que atrasada (deixa lá ir fazer a maquilhagem e o cabelo), pelo que vou indo...

Cabides



Para alguns dos criadores que vão estar na Moda Lisboa, aquela questão do peso mínimo exigido para as modelos poderem desfilar (como aconteceu em Madrid) é uma parvoíce e cada um deve poder escolher as Modelos que mais gosta.

Eles gostam das magras, porque é giro mostrá-las "como cabides" para a roupa que vai desfilando.

Ouvi isto hoje num dos canais nacionais... E vou dormir descansada, porque nunca mais vou ficar roída de inveja dessas gajas "magras que até mete impressão, que nervos!"... Afinal são só Cabides...

E, raios me partam se eu vou ter inveja de um Cabide!

outubro 10, 2006

Eu gosto do Alberto

Eu gosto do Alberto João Jardim porque:

1) Defende sempre a sua Dama, (que, coitadinha, anda na vida para o sustentar);
2) Consegue manter a paixão da sua Dama acesa e cega (o que muitos homens não conseguem e elas fartam-se e preferem mudar de dono);
3) Obriga os Clientes da sua Dama (e mesmo os não Clientes) a pagar caro e nunca se cansa de andar atrás dos caloteiros;
4) É muito engraçado;
5) É do mais politicamente incorrecto que eu conheço e há que dar mérito a isso;

O Alberto é que é fixe.

outubro 09, 2006

Hoje acordei assim!

Did you think to kill me?
There’s no flesh or blood within this cloak to kill.
There’s only an idea.
Ideas are bulletproof.

V for Vendetta

Bloguer que é bloguer tem de meter um poema no blog!

Como ainda não li nada de nada dos Jornais do fim-de-semana e nem faço ideia se aconteceu alguma coisa importante (aconteceu uma, mas foi tão insignificante que nunca, mas nunca, vou voltar a falar nisso!), aqui vai o melhor da minha poesia que, de resto, é uma bela merda!

(só um bocadinho, que vou ali ao caderno de argolas fazer copy/paste à unha):

Após o entusiasmo da curiosidade

Eras a terra virgem, que eu, explorador,
Queria povoar, habitar, descobrir.

És a terra fértil,
repleta de tudo o que já conheço.
Preciso partir,
Encontrar o resto que desconheço!

Porque já estou fartinha de olhar para a Alice com aquele ar assustado!

Meditação do Duque de Gandia sobre a morte de Isabel de Portugal

Nunca mais
A tua face será pura, limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei Senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre.
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei Senhor que possa morrer.

Sophia de Mello Breyner

outubro 07, 2006

Post de treino para praticar a colocação de imagens

outubro 04, 2006

Post de treino para praticar os links

Afinal isto foi só publicidade enganosa.
A gente vai lá e vai lá e vai lá e nada.

O que é certo é que esta história lhes continua a dar uma grande notoriedade.

E afinal, parece que já não vai para aqui, mas sim para aqui (devem ter oferecido mais).

Que desilusão!
Isto estava a ser tão divertido...

E eu a pensar que o homem não postava porque tinha ficado com medo! Afinal não foi nada disso (até já começo a achar que foi tudo uma manobra para publicitar a tal Palestra).

Também, se não fosse assim, quem é que se ia lembrar de quem era o Pedro Arroja, quanto mais estar disposto a pagar (30, 37,5 ou 17,5 €) só para entrar!

Viva o Sporting!

Fomos à natação no Sporting e desta vez correu bem! Já teve aula.
Ao contrário do que aconteceu aqui!

O Sol faz publicidade no saco do Expresso?

- Olha! Compraste o Sol.
- Não, comprei o Expresso...
- O Sol faz publicidade no saco do Expresso?
- Não, foi o Sr. do quiosque que se enganou e me pôs o Expresso dentro do saco do Sol.

(a conversa foi mais longa, com outras pessoas a meterem o bedelho, algumas dissertações sobre ser impossível que tivessem deixado fazer publicidade a um no saco do outro e com o tipo que tinha comprado o expresso, já com muitas dúvidas sobre o que é que tinha, afinal, comprado).

Foi o momento cómico, desta família, no fim-de-semana.

outubro 03, 2006

Papinhas e Sopinhas de Bebé II

Cara Amiga,

Esquece a história de fazer 7 sopas + 7 frutas na BebeDélice.
A máquina agora coze, mas já não tritura... (system overloaded, presumo).

Vá de pegar na varinha mágica e eis senão quando (era cheiro a queimado, fumo por todo o lado...), system overloaded, again!

Agora vai de varinha mágica (nova!) e uma de cada vez...
E, se isto continua assim, daqui a uns dias estou a escrever que as sopas passaram a ser de panela e Jacira com um garfinho na mão (e a criatura, mesmo sem dentes, que vá começando a aprender a mastigar)!

outubro 02, 2006

Free Hugs Campaign

"Sometimes, a hug is all what we need"
Veja como, aqui!

outubro 01, 2006

Fui ali à varanda fumar um cigarro e apanhei um susto!

Assim de costas pareciam mesmo quatro mulheres de burka a puxar da chave e toca de abrir a porta da casa ali do lado.

Depois viraram-se para cá e afinal não... eram quatro freiras (não tinham a cara tapada e tinham uma cruz ao peito!).

Olha! Vivem quatro freiras na minha rua (não deviam estar em conventos?)... E aquela farda faz mesmo confusão, se estiverem de costas.

Mas, pelo menos, posso ir logo a correr postar este meu mal entendido, que os cristãos não me vão querer cortar a cabeça por isso (e depois vou ali comprar uma mini-saia, que me está mesmo a apetecer)!

Para um agnóstico como eu é melhor viver cá deste lado em que a sociedade é laica, há que admiti-lo!

Ou serei apenas uma grande mal-educada, com uma enorme falta de respeito por tudo e uma total ausência de valores?

Qualquer dia, esta minha guerra interior ainda dá cabo de mim.