" /> Alice in Wonderland: agosto 2006 Archives

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agosto 12, 2006

Verão

Já estava metida na água à espera que lhe trouxessem a botija de oxigénio [pronto! garrafa de ar... Eu nem sei nadar, quanto mais... :)))))] quando de repente se lembrou que não sabia nadar, quanto mais mergulhar e voltar para cima outra vez e ir até à margem e dar um saltinho para fora se a coisa começasse a correr mal, ou tivesse frio, ou uma cãibra.

Nunca lhe ocorre que não sabe nadar, a não ser quando está quase, quase a fazer alguma coisa que a pode afogar.

Nunca se lembrou de aprender a nadar, nem esqueceu a fantasia de um dia mergulhar em águas profundas e descobrir, descontroladamente, os mistérios do mar.

agosto 11, 2006

Omar Khayyam *

“Outrora, quando frequentava as mesquitas,
não rezava nenhuma prece, mas vinha de lá rico de esperanças.
Agora ainda vou sentar-me dentro das mesquitas,
Onde a sombra é propícia ao sono.”

«Rubaiyat de Omar Khayyam» - 107
* Persa. Nascido, provavelmente, em 1048

agosto 10, 2006

Saldos

Os saldos começaram quando? Se, por acaso, tivesse ficado em casa à espera da notícia “oficial”, quando chegasse às lojas dava de caras com a colecção de Inverno mais um restinho de refugo, tudo ao monte num caixote de papelão, ao fundo da loja.

Porque é que ainda perdem tempo a anunciar nos telejornais o início dos saldos quando toda a gente sabe que eles já começaram há que tempos (e, entretanto, já acabaram...)?

É por causa das questões legais ou porque os jornalistas andam todos a dormir?
Não entendo mesmo! Mas já me perdi a pensar nisso quando vou à casa de banho.

agosto 09, 2006

Pronto! Afinal cheguei lá sozinha...

Bastava um refresh ao template "Main Index"... O que eu fui descobrir... Nem sei como ou, como se diz, sem saber ler nem escrever!
Espero que estas coisas do Testeteste, Socorrosocorro acabem por aqui...
E prontos! Já estou outra vez bem disposta!

agosto 08, 2006

Porque é que isto ainda não funciona?

testetesteteste

O que é que foi agora?

Porque é que eu edito um post que aparece em todo o lado (arquivo, categorias...) menos na página inicial?
Porque é que comentam o meu blog e o número de comentários é actualizado em todo o lado (arquivo, categorias...) menos na página inicial?

Senhores do apoio técnico, estão aí? Não? Então já mando um e-mail!

Estava aqui um grande vazio (CRIATIVO)

Estava, mas já não está (problema resolvido).

(havia aqui um parágrafo que, não fosse a net ter ido abaixo e eu estar a escrever directamente aqui, não tinha perdido! Como era só para encher chouriços, ganhar coragem para a história da casa de banho e, acima de tudo, porque já não me lembro do que escrevi, vai assim mesmo... como consta abaixo!)

Este vai ser o blog das coisas importantes que eu tiver para dizer. Quando não tiver coisas importantes para dizer (e para dar rendimento à coisa), vai ser o blog das coisas que eu penso quando vou à casa de banho (sim, à casa de banho! Embora a enormidade que acabei de escrever possa estar mesmo a pedir um daqueles comentários "mauzinhos" que já me estou a imaginar a deixar nos blogs dos "outros" se fosse dada a essas coisas e se não gostasse das criaturas em questão, que se lixe!)

Vou abrir duas categorias NOVAS: Casa de Banho e... ... Já me hei-de lembrar de qualquer coisa (agora fica assim antes que isto vá abaixo outra vez).

agosto 03, 2006

Ontem

Ontem, enquanto a minha filha tentava não adormecer e chorava desalmadamente por alguém que lhe viesse roubar o imenso sono que tinha, para que ela tivesse força para brincar mais um bocadinho, fiquei a olhar para ela.

Fiquei com medo que aquele bebé pequenino um dia se zangasse comigo por algo mais que eu insistir em não lhe roubar o sono.

Quando isto acontece, este medo de quando ela crescer, fico com frio e sinto que estou mergulhada em água gelada, debaixo de chuva, perdida numa floresta em pleno Inverno.

Não consigo, por mais que tente, deixar de sonhar com o futuro que gostava que ela viesse a ter. Penso que gostava, acima de tudo, que ela tivesse a capacidade de se apaixonar. Que tivesse, pelo menos, uma grande paixão na vida, cuja recordação, mesmo que essa paixão se acabasse, lhe ficasse para o resto da vida como uma memória agridoce de que um dia esteve viva, completamente viva!

Mas, não consigo pensar só na vontade que tenho, que ela se apaixone! Tenho que a imaginar a viver uma grande aventura com um homem lindo, sensual, inteligente, interessante, culto, justo e generoso, forte, decidido, confiante, adulto …

Imagino-a num país exótico … Imagino-a a tomar um gin tónico no Kilanguni Lodge depois de ter percorrido tsavo até a poeira de África lhe ter ficado entranhada na pele! Imagino que o homem lindo por quem se apaixonou está com ela. Vieram de Nairobi para o fim-de-semana. São médicos, são jovens e estão no Quénia com a AMI.

Imagino-a a defender causas. Imagino-a a ter uma vida livre e diferente, todos os dias. Imagino-a a ter o planeta por sua casa e a viajar muito, com a perfeita noção de que pode estar, hoje, em Londres e, amanhã, no Camboja.

Imagino que vai adorar o que faz e vai considerar uma bênção que lhe paguem, ainda por cima, para o fazer.

Imagino que vai ter muitos amigos, de muitas raças, de muitos países e vai ter a consciência perfeita do que é viver neste planeta perdido no universo, tão único e tão igual e, ao mesmo tempo, tão diferente.

Imagino que vai ter dinheiro. Vai ter o suficiente para nunca se ter de preocupar com dinheiro! Imagino que vai vestir bem e vai ter uma casa bonita. Imagino que vai ter bom gosto mas que não se deixa levar pelo marketing!

Imagino-a alerta, interessada, boa conversadora, simpática, meiga mas decidida!
Imagino-a a gostar muito de mim. Imagino-a a ter-me num lugar muito especial do seu coração e a contar-me todas as suas aventuras e a perguntar-me o que é que eu penso!

Se me perguntassem:

- O que sonhas para a tua filha?

E eu respondesse, apenas, que desejava que fosse tão feliz como eu em todos os aspectos da sua vida e que, quaisquer que fossem as suas escolhas, as fizesse sempre, tendo em conta, aquilo que realmente queria…!

Mas não, não é isso que eu respondo! E depois fico com medo que ela um dia se zangue comigo por algo mais que insistir em não lhe roubar o sono!

Talvez, até, eu consiga sentir exactamente quais os motivos pelos quais tenho medo que ela, um dia, se zangue comigo!

A Branca de Neve

Tinha mesmo de ser o primeiro post, embora atrasado muitos anos (estava no topo da lista dos pendentes, atravessados na garganta, de antes de eu ter um blog! Sorry!)

Fico ainda mais contente de estar a escrever isto depois de o homem já estar morto.

Parece-me mais a sério, mais formal, dizer mal de um homem morto! Por princípio (da nossa hipocrisia) quando se morre perdem-se os defeitos. Quando isso não acontece é porque é mesmo grave.

Assim, fico ainda mais contente de estar a escrever isto depois de o homem já estar morto!

1) O João César Monteiro resolve fazer um filme cego (quando não tem som é mudo, quando não tem imagem é cego, certo?).

É como um escritor escrever um livro sem letras (pronto! Na página 3, 27, 56 e 324 aparecem umas frases... e, claro, acompanha o livro sem letras um CD com músicas dos Dexys Midnight Runners cantadas pelo Camané, a Marisa e a Dulce Pontes). Não sei se se chamaria aquilo um livro, mas, não existam dúvidas, o JCM fez um FILME.

2) Faz o filme recorrendo a subsídios do Estado (i.e. cá a malta).

É assim que está definido e pronto! (...) Dava mais uns quantos postes.

3) O público português (os que foram ver e os que ouviram dizer!) não gosta do filme e o mesmo revela-se um flop de bilheteiras (embora nenhum realizador português se preocupe com isso).

Parece que, em nome da Arte, alguns vivem de subsídio em subsídio. O objectivo último (e único?) é conseguir mais um subsídio e não, ter sucesso na profissão que escolheram (sim, porque aquilo, que eu saiba, é uma profissão, e ter sucesso significa conseguir levar pessoas ao cinema). É claro para toda a gente que os profissionais que trabalham para aí nas empresas têm de ser rentáveis, têm de fazer coisas úteis, têm de ser produtivos e gerar receitas ou então vão para o olho da rua. Nas Arte, em Portugal, não! A cultura é algo abstracto, de difícil entendimento para o tuga médio. Ninguém vai ao cinema português porque é tudo burro. E, aqueles filmitos têm de continuar a ser feitos, porque são cultura e se não se fizerem ficamos sem cultura e ai caramba que ninguém vem ao cinema ver filmes portugueses e ai caramba que não temos dinheiro para essas grandes produções COMERCIAIS americanas e ai caramba que mesmo que tivéssemos não as fazíamos porque isso seria deturpar o conceito de cinema e os americanos não percebem nada do que andam a fazer.

4) Alguns intelectuais portugueses (os que foram ver e os que ouviram dizer!) gostam.

Um filme sem imagens, um livro sem palavras, uma música sem som, um quadro sem tela. O exercício de estilo de retirar a uma coisa tudo aquilo que a define e, mesmo assim, conseguir manter essa mesma coisa é tentador. A sério que é, mas ele que vá fazer isso com o dinheiro dele... O van Gogh (podia ser outro qualquer) não teve uma vida de cão? Porque é que este senhor tem de ser pago logo à cabeça?

5) O público português acha (assim, mesmo à tuga, terra a terra, pão pão queijo queijo), que aquilo não é um filme, porque AQUILO não tem imagens. LADRÃO! Enganou-nos! Nós a dar o nosso dinheiro para um filme e afinal ele não fez um filme!

É porque somos burros... se fosse a Missão Impossível ou a Guerra das Estrelas ou o Indiana Jones já gostávamos! Somos burros cumó caraças, filhos da mãe! Atão não se VÊ logo que aquilo é um filme? Se apenas as mentes mais brilhantes alcançam isso, azar... ninguém nos manda ser burros.

6) Resolvem (os media) perguntar ao JCM o que é que tem a dizer sobre o assunto e, eis senão quando, EU QUERO QUE O PÚBLICO PORTUGUÊS SE FODA!

Eh! Pá! O que é isto? Não basta pagar subsídios para filmes cujo valor acrescentado para a Cultura Nacional me parece, no mínimo, duvidoso, ainda sou insultada por um senhor que se está a FODER para o público que deveria querer ter? E, ainda tenho de aturar homenagens do ESTADO PORTUGUÊS a um tipo que nos mandou FODER a todos e que entretanto morreu e parece que deixou uma grande obra? Que merda é esta?

É o País das Maravilhas... Porque se fosse um país à séria, com pessoas com espinha dorsal e uma pinga de orgulho, o tal senhor era riscado do mapa... Para sempre!

E, no meio disto tudo, o GRAVE não é ele ter dito o que disse. O GRAVE é a nossa reacção ao que ele disse. O GRAVE é a nossa atitude “de merda” face à generalidade das coisas que nos vão acontecendo (e daí, talvez, este post não estar assim tão atrasado. Infelizmente).